sábado, 16 de Junho de 2012

Transexuais


“Homens que pensam que podem ser mulheres e mulheres que pensam que podem ser homens. Para operar essa mudança, sujeitam-se a tratamentos hormonais, cirurgias. Não estou a defender a máxima do Restaurador Olex, que o que é natural e fica bem é cada um usar o cabelo com que nasceu, até porque muitos nascem carecas.

Não vejo porque razão homens e mulheres não possam usar saias, saltos altos, maquilhagem, calças, conforme lhes apetecer. O vestuário é uma convenção artificial da sociedade que incute o que cada um deve usar. As pessoas devem ser livres de se vestirem como quiserem. Se quiserem, até usem coletes-de-força.

Mas se alguém nasceu homem, ou nasceu mulher, e pensa que através de cirurgias e tratamentos consegue contornar esse facto, então estão a mentir aos próprios e aos outros. Nem todos os problemas têm solução. Aliás, quase nenhum tem. Por mais que mutilem o corpo nunca serão outra coisa se não aquilo que realmente são. Pode ser triste, mas é verdade. Imaginem alguém que quer ser um gato. Se mandasse implantar cirurgicamente uma cauda, afiasse os dentes, mudasse o recorte das orelhas e mais umas barbaridades afins, essa pessoa nunca seria um gato. Sorry.”

Assim falava Zé da Trouxa.

quinta-feira, 14 de Junho de 2012

Extraterrestres


“Acredito que haja vida extraterrestre. E vida inteligente. Se até aqui na Terra há um ou outro sinal de vida inteligente, então no Universo também haverá.

Existem crenças, e não de uma pessoa ou duas, mas de muita gente, que os extraterrestres estão em contacto com alguns privilegiados da espécie humana, e que contam segredos e fazem revelações que depois esses privilegiados publicam em livros e escrevem nas Internets e afins.

As mensagens são do género, os extraterrestres estão descontentes com o caminho que a humanidade segue; os humanos têm que mudar o seu grau energético; entrar numa outra frequência vibratória; ouçam as mensagens dos líderes interestelares e aprendam com os seus ensinamentos.

Até há pessoas que têm diplomas por se terem graduado em cursos ministrados por confederações galácticas. Diplomas esses carimbados e assinados.

Constato que, de facto, a vida inteligente é mesmo uma coisa muito rara.”

Assim falava Zé da Trouxa.

sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Dormir Descansado


Nessa noite, Zé da Trouxa deitou-se a matutar no filme que tinha visto que lhe causara grande impressão.

Depois olhou para o relógio e constatou que era tarde e pôs-se a matutar naquelas pessoas que têm grande capacidade para se deixarem dormir.
“A certas pessoas nada tira o sono. Têm um dormir descansado. Como eu as admiro. O mundo pode estar a ir pelo cano abaixo, o que até está, que elas dormem que nem uma pedra.  Não pensam em nada do que aconteceu ao longo do dia, pois sabem que não se pode voltar atrás no tempo, portanto, para quê preocuparem-se? Essas pessoas é que estão corretas. Não têm preocupações, arrependimentos, angustias. Aliás, são pessoas assim que dormem tão facilmente, que até se deixam dormir ao volante”.

Assim pensava Zé da Trouxa, e não havia meio de se deixar dormir.

segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Os Três tipos De Cineastas


“Há três tipos de cineastas.

Primeiro, os artistas. Fazem filmes para eles próprios, e em Portugal até houve um que disse uma frase tão eloquentes como, “Eu quero que o público se f...”. O facto de quase sempre os seus filmes serem insuportáveis de ver não interessa, porque são arte e quem não gosta é inculto e vá-se... bem, já sabem o quê.

Segundo, aqueles que fazem filmes para o público. Pensam que o público é acéfalo, o que, de uma forma geral, até é verdade, e vão procurar os elementos mais básicos para preencher os seus filmes e agradar ao mais vasto público possível. O resultado final do filme é mais ou menos irrelevante. O que interessa é o número de abéculas que o foram ver.

O terceiro tipo de cineastas, é o mais raro. São aqueles que, mais do que querer mostrar que são artistas, mais do que pensar o que quererá o público ver, preocupam-se em fazer a melhor obra possível. E quando fazem uma obra realmente magnífica, os críticos intelectuais desdenham e o público chunga ignora.”

Assim falava Zé da Trouxa, e tinha acabado de sair duma sala de cinema perto de si. 

domingo, 20 de Maio de 2012

O Blog De Zé Da Trouxa


Zé da Trouxa chegou a casa e dirigiu-se imediatamente ao computador, qual nerd sem vida social. Criar um blog foi coisa fácil. Se não fosse fácil, não haveria tantos idiotas como ele a fazer o mesmo.
O difícil foi arranjar um nome, algo que demonstrasse o desprezo que Zé da Trouxa sentia pelas mentiras do mundo. Pensou em Always Cagalhaiting. Mas por fim ficou-se pelo que hoje é conhecido por toda a humanidade culta como: Assim Falava Zé da Trouxa.

Terminada a tarefa de criar o blog, estava na altura de fazer algo verdadeiramente importante: ir passear os cães antes que eles fizessem as necessidades no tapete ou, pior ainda, em cima da cama.

Na rua, lá ia Zé da Trouxa a passear os cães pela trela, que se chegaram ao pé dum Audi carrinha preto que tinha acabado de estacionar. Os cães começaram a cheirar os pneus do Audi e Zé da Trouxa reparou que o dono da carrinha, um tipo do género sou-um-executivo-e-sou-muita-bom-porque-ando-engravatado, tinha parado e tinha-se voltado para trás, atento muito provavelmente a ver se os cães iriam fazer as suas necessidades nos pneus.
Se Zé da Trouxa se importasse com os outros, ter-lhe-ia dito que os seus cães eram demasiado inteligentes para fazerem as necessidades no pneu dum mero Audi A4 dois litros a diesel tração dianteira, que eles tinham bom gosto e só gostavam de Mercedes e BMWs, ou Porsches quando os apanham, portanto os Audis estavam a salvo. Mas o dono da carrinha lá se foi embora e os cães de Zé da Trouxa foram procurar um carro melhor.    

sexta-feira, 18 de Maio de 2012

O Cego Samurai


De repente, Zé da trouxa começou a aperceber-se dum som semelhante ao que os Samurais fazem nos filmes quando brandem  as espadas no ar. O som estava cada vez mais próximo, mais intenso, mais ameaçador. Ao virar-se para trás, Zé da Trouxa repara que é um cego que vem na sua direção com a bengala desferindo velozes golpes no chão, dum lado para o outro, que era o que fazia o som semelhante às espadas dos Samurais.
Zé da Trouxa só teve tempo de saltar para o lado antes que levasse uma bengalada e fosse atropelado.

Ao ver o cego afastar-se a toda a velocidade pelas ruas, Zé da Trouxa fixou-o e pensou, “Safei-me de ser atropelado. Mas que grande destemido este cego. Segue o seu caminho e leva tudo à frente se for preciso, não querendo saber dos outros, até porque nem os vê.
É assim que eu devo seguir o meu caminho. Para quê importar-me com os outros? Eles que se desviem se quiserem.
Não irei mais dirigir-me a ninguém para lhes mostrar como são idiotas.
Até porque, não sei porquê, as pessoas parecem levar a mal quando lhes chamo nomes.
Mas aqueles que tiverem coragem para ouvir as minhas tretas sobre o quanto o mundo é aldrabão, poderão ir à Internet e dar uma vista de olhos ao blog que vou criar.” 
E seguiu a toda a pressa para casa.